Duas horas. Madrugada.
Na cidade há silêncio.
Buenos Aires está dormindo.
Pelas ruas, poucos carros.
Até mesmo o Obelisco
plantado na avenida
repousa dentro da noite.
Em meio à Nove de Julho,
alguns jovens conversando
e brincando há crianças −
muito poucas as crianças −
como fazem no interior.
A pulsante capital
descansa para, à manhã,
despertar com energia.
Cúpulas iluminadas
e relógios sobre torres
lembram luz de abajures
que iluminam, sem ferir
os olhos, em nossa casa.
Dorme, capital portenha,
dorme, bela Buenos Aires.
Teu semblante adormecido
é mais belo do que ao dia.
Dorme, pois logo o sol
te desperta para a lida.
Eu, insone, te observo,
como à amada ao meu lado,
e adormeço, contemplando-te,
com Piazzolla em minha boca.
Durmo contigo, ó cidade.
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