sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015


Teu corpo corrompido no sepulcro
não conheceu em vida o que o meu
a anos tem sofrido co’a idade
e assim, p’ra sempre jovem, tu serás.

Quando nos encontramos além morte,
eu penso se irás reconhecer-me,
mas eu, ao ver-te, reconhecerei
a mesma jovem que um dia amei.

Chorei a tua morte prematura,
igual a mim, tu jovem, sonhadora,
ceifada foste sem viver a vida
que ambos planejamos quando jovens.

Estou olhando agora o teu retrato
e no espelho vejo a minha face.
Meu rosto traz as marcas da velhice
e tu, em mi’a lembrança, ‘inda jovem.

A vida que eu amei e tu também,
foi ela mesma que nos separou.
E agora, na idade avançado,
anseio a morte que nos unirá.


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