sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015


Todo lar, mais que uma casa, é um museu,
que do morador revela a sua alma,
refletida em cada um dos objetos,
o que única a torna entre as demais.

Seja pobre, seja nobre, seja rica,
a história de uma vida ela contém
e preservar o lar de quem partiu
é manter viva do morto a memória.

Quem entra numa casa reconhece
detalhes que recordam o morador,
as marcas de um passado já distante,
que foi-se como a vida que ali houve.

Por onde viajando estou, procuro
os lares transformados em museus
e sinto a emoção de estar entrando
na intimidade de quem o habitou.

Senti-me aguardado por Pessoa;
e olhando a paisagem com Neruda.
Chorei junto ao leito de Francisco*
e alegrei-me na casa de Lúcia*.

Inspira-me entrar n’A Encantada,
pequeno lar de quem deu asa ao homem,
e com solenidade, em Petrópolis,
no Imperial Palácio de Dom Pedro.

Eu tenho também meu pequeno espaço,
que guarda de mi’a vida as lembranças,
mas sei que, como tantos outros lares,
será desfeito quando de mi’a morte. 


                                                      * videntes de Fátima


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