Há um sonho em mim, reincidente,
que desde muito tempo me acompanha,
mas que, sonhado, é-me tão real,
que nunca sei se é de fato um sonho.
No sonho há um crime que eu carrego,
um crime que jamais foi revelado,
pois quem a vida um dia eu tirei,
tem sepultado o corpo em meu quintal.
Aos olhos que me vêem sou um justo,
porém me pesa o ato cometido.
Acordo de meu sono tão confuso,
sem saber em qual realidade vivo.
Na vida que parece-me real,
na qual eu tenho anseios de poeta,
a mim pergunto como um poeta
que cria sonha que uma vida tira.
O meu receio é vir a descobrir
que na verdade sou um assassino,
que ao deitar-se, ao fim de cada dia,
sonha que é apenas um poeta.
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