quinta-feira, 12 de novembro de 2015


Cada dia mais estranho é o meu rosto
defrontado ao espelho nas manhãs
que anunciam o frescor de um novo dia,
e no entanto o tempo esculpe a minha face.

Não há nela o frescor da juventude
e os sulcos são como erosão da idade.
Se ainda em meus sonhos há vigor,
meu corpo mais frágil se vai tornando,

e aos poucos vai tomando a aparência
do cadáver que um dia há de ser.
O espelho vai assim me preparando
para o fim inevitável de mi’a vida.


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